quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Mosca da sopa
seu cabelo é estranho
você fala muito devagar
se acha, esnoba
fala no diminutivo
e é proibido, e é impossível
e você vai sorrir e mostrar a mão e eu vou te oferecer maçãs, muitas e muitas maçãs e vou me irritar com você.
Porque você é irritantemente o número certo.
Não podia ter perdido o controle.
E sabe o que é pior?
Você percebeu.
Ascensor para o cadefalso
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Ano do Rato
têm
o peso
que
damos
a elas.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Tartaruga tecnobrega
Parece uma varinha de condão isso que você carrega
Plin plin plin
Faz ela com sua varinha
E tudo vira cor e risadas
Tudo se transforma num deboche
Plin plin faz ela, com sua varinha
O cinza que vira amarelo, que vira todas as cores
As palavras viram uma língua engraçada
Língua de fada-malandra
Língua de macunaíma
Plin plin plin
Faz a garota laranja
Que pula e apronta e rodopia, batendo com sua varinha
Plin plin plin
Faz o arlequim,
E nada fica como antes.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Zu Lai
Eu fui ao templo, fiquei umas 3 horas lá, quietinha. Chovia gostosinho, com um som que eu nunca tinha reparado. Estava absorta nos meus pensamentos e apareceu um monge todo doce para dizer que a hora da meditação ia começar, se eu ia me juntar ao grupo. Era numa sala que parecia calorosa, e não tinha música de yoga nem nenhuma dessas coisas, mas acho que foi uma das vezes que mais relaxei. E mesmo assim doía, descobri que meditar dói.
Saí às 5 da tarde sem ter comido absolutamente nada, mas achei bom, parecia que fazia parte do processo. Fui ver o filme e chorei descontroladamente no cinema. O filme terminou e continuei chorando e chorei mais uns 10 minutos com os nomes correndo na tela.
Ontem acordei e a casa estava completamente vazia. Adorei isso. Minha cabeça estava explodindo, então fiquei olhando a chuva umas 2 horas, quieta.
Descobri que quando tudo está quieto a nossa cabeça faz muito, muito barulho. Parece que estamos ouvindo música no último volume. No fundo é só porque ela tem muita coisa pra falar, e quando arranja um espaçinho, quer colocar tudo pra fora ao mesmo tempo.
Acabei o livro e ele também mexeu comigo. Coisas importantes estão mexendo muito comigo, porque estou disposta a conhecer e entender. Conhecer a si mesmo pra depois querer mudar o outro.
Então não me venha com diz-que-me-disse, porque na hora eu vou ficar me explicando, mas depois vou perceber que não me interessa.
Desculpe, algumas coisas não me interessam mais.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
O Brasil está chovendo. São lágrimas de partida
Somos duas taurinas e essa relação costuma ser cheia de atritos, muita personalidade forte, muita teimosia e muita opinião juntas. No entanto a gente tem se entendido por isso e se identificado também. Mas o mais gostoso que você tem me dado é amor, e pra isso não precisa inteligência, jogo de cintura, boa aparência, loucuras embriagadas, dinheiro, coisas
A estrada da vida
Estávamos na estrada. Verde de um lado e do outro. Montanhas, lagos e pequenas borboletas. Bonito, bonito mesmo. Mas no fundo não estava prestando atenção. A conversa estava boa, era mais uma vez uma crítica ao mundo.
Ela falava agitada, com os belos óculos de formiga “... as pessoas não entendem, são simplistas em suas observações. Vinícius,
E a estrada continuava do lado de fora.
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Bande sonore: Le fabuleux destin d'Amélie Poulain
Eu ponho o som bem alto
Porque assim fica mais forte e profundo
E eu penetro nesse mundo francês
Que pra mim pode ter qualquer nacionalidade, desde que seja próxima dos meus sonhos
e próxima da felicidade.
Eu gosto porque são instrumentais, então a história pode ser contada por mim. E pode ser feliz ou pode ser triste.
São os contratempos, ou a simples rotina, que acabam por definir a tristeza da música, e tudo pode mudar no dia seguinte.
Hoje ela está calma. Porque hoje estou
Hoje quero inventar jeitos de incentivar as vontades das pessoas, e hoje quero conseguir ver nitidamente, e perceber todos os pequenos detalhes do mundo. Todos eles.
Percebi isso. Cada dia que passa, quero mais os detalhes. Quero mais um olhar sutil , ou uma mexida discreta no cabelo. Quero um dedo que mexe no espaço sem dizer nada, ou um silêncio que diz tudo.
Quero o ficar sozinha, lotada de todas as coisas que penso.
Hoje o piano está reforçando o meu livro do momento, e tudo está casando. A frase, por exemplo, não sai da minha cabeça. O que estaríamos pensando, não fossem as frivolidades.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Nietzsche e eu choramos
“Houve uma época em nossas vidas em que estávamos tão próximos, que nada parecia obstruir nossa amizade e fraternidade e apenas uma ponte nos separava. Quando você ia subir na ponte, eu lhe perguntei: “você quer atravessar a ponte até mim?’ Imediatamente, você deixou de querê-lo e, quando respondi a pergunta, você ficou silente. Desde então, montanhas, rios torrenciais e o que quer que separe e aliene interpuseram-se entre nós e, mesmo que quiséssemos nos reunir, não conseguiríamos. Agora, ao pensar no pontilhão, você perde as palavras e soluça e se maravilha”.
... “uhm, é uma historieta curiosa, vamos analisá-la. Uma pessoa está prestes a atravessar a ponte, ou seja, a se aproximar da outra, quando a segunda pessoa a convida a fazer exatamente o que planejara. Com isso, a primeira pessoa não consegue mais dar o passo, porque agora pareceria estar se submetendo à outra....”
domingo, 13 de janeiro de 2008
O pequeno príncipe
Quando a gente lhes fala de um novo amigo, eles jamais se informam do essencial.
Não perguntam "Qual é o som da sua voz? Quais brinquedos que prefere? Será que ele coleciona borboletas?" Mas perguntam "Qual sua idade? Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa?" Somente então julgam conhecê-lo...
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Aprendi na adolescência
Querida, não me leve a mal, mas há uma coisa que você tem que entender.
Gostar do sexo oposto, ok, legal, mas tem que ter um ‘porém’ na sua vida; uma outra (o famoso clichê:) razão para viver.
Descubra suas paixões, seus gostos.
Ame muito, mas não concentre todo o seu amor em uma única pessoa. É muita responsabilidade ao outro.
Ele sente, assusta, sente-se pressionado, e se ele tiver outras paixões, você vai enlouquecer.
Cantar? Ler? Natação? Surfe?...cinema?
É dessa forma que você transforma os altos e baixos da vida em não tão baixos, afinal, perdeu uma paixão, ainda restarão algumas outras...
Fora de foco III
Achei interessante aquela cena do documentário que a escritora falava sobre suas angústias. “Já escrevi muitas cartas suicidas, mas sempre releio e acho que estão uma droga. Amasso e me preparo para recomeçar o texto. Ai que nervoso que me dá! Não posso me matar deixando uma carta dessas!!! É duro ser escritora, a gente nunca está satisfeito com os próprios textos, então nem me matar eu consigo”.
É bom ser escritora. O senso crítico te salva.
Nunca pensei em me matar.
Mas acho que vou ser escritora, só por via das dúvidas.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Café, chá e outros estimulantes
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah
Irritantemente bem-humorada
tchá tchá tchá
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Os valores se fortalecem com a idade
O garoto estava sentado à margem do lago, olhando para o nada, distraído.
Percebeu o debater da aranha na água e não cogitou.
Pegou um pedaço de galho, esticou-se todo e alcançou-a.
Lentamente trouxe o galho para terra firme, para que ela não caísse de novo e quando a aproximou, foi picado.
Com o susto, o galho voltou à água, com a mal-agradecida.
O menino novamente se agachou, reclinou-se sobre a água a fim de salvar o aracnídeo.
Seu amigo que tudo observava aproximou-se indignado, a aranha te picou, te P-I-C-O-U, e você ainda insiste em salvá-la?
É da natureza da aranha me picar, e é isso que ela faz...assim como é da minha natureza ajudar, e é isso que eu fiz....
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
De Malta
Mariana
Mariana
es como um rio de águas calmas
às vezes um regato
outras tantas
um mar agitado
com enormes ondas
que passam uivando
para a arrebentação
Mariana
Mariana
linda plantação de girassóis
a perder de vista
que nos fins de tarde se retraem
a espera da luz
do dia seguinte
Mariana
Mariana
já disse uma vez
es uma gaivota
doce e arisca gaivota
que nem sabe direito
todo o amor que tem pra dar.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Feliz 2008
Ela vinha discretinha. Tocava meu pé e ia embora.
Aproximava-se de novo, suave e feminina, tocava-me novamente e saia arredia.
Era o máximo que conseguia fazer, se aproximar de mansinho, me tocar e fugir.
Se fosse noite, aí não, seria diferente. Ela cresceria muito.
Molharia-me toda, não daria nem tempo de reagir.
Mas acho que fugiria do mesmo jeito depois.
Percebi que essa é ela, não tem como mudar. As coisas são como são e a iniciativa teria que ser minha.
Soltei o cabelo, tirei os óculos e dei um mergulho.
A onda agradeceu a atitude, me inundando de boas energias.
Feliz ano novo, Yemanjá.
É uma das descrições mais lindas de um momento apaixonado que eu já li. Espero que você goste.
"Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno da tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar.
Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha.
Me olhas, de perto me olhas, cada vez mais perto e, então, brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam entre si, sobrepõem-se e os cíclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio.
Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura.
E, se nos mordemos, a dor é doce; e, se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim, como uma lua na água."