E então que eu sou assim. Cada
minuto é um minuto, cada dia é um dia. É como se a ponte entre um dia e outro fosse
a tênue lembrança de um agrado, de um sorriso, de uma frase, e nada mais. Às
vezes me alivio, por me reconstruir a cada dia, e às vezes me desespero, porque
nos dias sem palavras, nada me reconecta à vida do dia anterior.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Descabelada
Não vou te contar, mas te vi
passar na rua. Você estava daquele jeito de sempre, meio arrumado, meio capeta,
meio localizado, meio perdido. Essas coisas a gente não entende mesmo. Porque
eu também estava do meu jeito de sempre, atrasada, descabelada e, claro, despreparada.
Te vi andando, e junto aos seus passos foram passando todos os seus sorrisos
que eu gostei, seu jeitinho de dançar que eu gostei, e seu humor debochado, que
eu também gostei. Não vou te contar, mas me deu uma dessas tristezas ardidas,
como quando a gente sonha uma coisa gostosa, e acorda num dia cinzento.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
quinta-feira, 26 de julho de 2012
terça-feira, 3 de julho de 2012
Vestido rendado
Vestiu-se de rendado, toda caprichada. No cabelo encheu de
laço e no rosto, encheu de sorrisos. Nos lábios aquele batom que ela gosta e de
perfume, o de sempre, pra agradar. Estava assim, toda meio radiante, meio cheia
de sonhos. Avisou a família e a melhor amiga. Avisou também um ou outro que cruzou
no caminho, porque não se aguentava em si. E ficou a aguardar. Aguardou
minutos, transformados em horas, transformados em dias. O perfume já não
existe mais, nem tampouco o sorriso. Restaram-se apenas os sonhos, que insistem
um pouquinho mais em deixá-la.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
sexta-feira, 22 de junho de 2012
domingo, 17 de junho de 2012
Simples e assim
Talvez o verdadeiro amor seja aquela pessoa que, de repente, pensa ser você uma pessoa insubstituível. Simples assim.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
terça-feira, 12 de junho de 2012
Eu te machuquei
Talvez eu aproveite o dia de hoje para me desculpar. Peço desculpas sinceras ao meu coração, por deixá-lo assim, tão machucado. A culpa foi minha, pode ter certeza. É que além de você, meu querido amigo, eu tenho dentro de mim a razão, que vive a me deixar confusa, e o medo, que me inibe. Tenho também um montão de sonhos, que me deixam cega. Eu tenho dentro de mim a consciência, que vez ou outra está acima do peso, e a pressão do tempo, que age sobre todos eles, invasiva e impaciente. Nos últimos dias você tem estado assim, tão doído, eu sei. Eu estraguei tudo, me desculpe. Prometo agora deixá-lo quietinho, e mais que isso, prometo nunca mais tentar ignorá-lo.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Vivo
Eu sei bem como foi. Primeiro reparei no seu sorriso, e logo
em seguida no seu sotaque. Voz de gente de fora, pensei logo. Eu gosto de gente
de fora. Depois reparei nos seus olhos coloridos e só depois fui reparar no que
você falava. O assunto até era legal - a gente falava de viagens - mas mesmo
que não fosse, já tinham um milhão de coisinhas que eu tinha me apegado, mesmo
antes de saber o seu nome.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Delicadezas
Estávamos sentados no restaurante e ela começou
a mexer no cabelo. Ele parou de comer e a olhou nos olhos. Você fica deslumbrante com o cabelo assim,
pro alto. E ela corou. E é assim, há 29 anos.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Ela é só uma menina
Uma vez te perguntei se as pessoas são substituíveis e você
disse que não. Você me disse que eu estou numa caixinha na sua casa que você
nunca conseguiu jogar fora, e que eu sou o seu padrão de verdadeiro amor. Você
me disse tudo isso, com as suas formas poetas de dizer. Eu lembro bem. Eu nunca
esqueci. Hoje penso que as pessoas são substituíveis sim. Eu sou
absolutamente substituível. O que não se substitui mesmo é a juventude. Éramos
jovens. Éramos apaixonados. E isso não se substitui.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Pronto socorro das lamentações
Já entendi que o corpo humano vive a nos denunciar. Por anos venho engolindo uma ou outra coisinha, o que tem me deixado gorda. Quando guardei sentimento, acordei sem voz. Quando guardei tristeza, perdi a fome e ontem, inesperadamente, coloquei pra fora o que devia estar armazenado muito fundo, e muito forte. Vomitei meus medos e meus ascos. Vomitei minhas falas engasgadas. Vomitei minha repulsa e minha raiva. Hoje estou de molho em casa, para uma nova eu.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
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