quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Fantoche da Terra

O ser humano foi jogado no mundo sem explicação, data de validade especificada no rótulo ou função.
Tem gente que já estragou e continua por aí,
Tem gente que se foi quando nem bem chegara.
Somos postos à prova,
Somos expostos.
Somos um monte de porquês ambulantes
Somos colocados um contra o outro,
Somos procriados um sobre o outro.
Somos sorrisos
Somos olhares
O ser humano é um fantoche sem dono, correndo atrás de algo qualquer que, no final das contas, para nada serve.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Dizemos aos confusos, Conhece-te a ti mesmo, como se conhecer-se a si mesmo não fosse a quinta e mais difícil operação das aritméticas humanas, dizemos aos abúlicos, Querer é poder, como se as realidades bestiais do mundo não se divertissem a inverter todos os dias a posição relativa dos verbos, dizemos aos indecisos, Começar pelo princípio, como se esse princípio fosse a ponta sempre visível de um fio mal enrolado que bastasse puxar e ir puxando até chegarmos à outra ponta, a do fim, e como se, entre a primeira e a segunda, tivéssemos tido nas mãos uma linha lisa e contínua em que não havia sido preciso desfazer nós nem desenredar emanharados, coisa impossível de acontecer na vida dos novelos, e, se uma outra frase de efeito é permitida, nos novelos da vida.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Cabeça de Sonhos

A menina é do tipo que não dorme à noite.
É do tipo que lembra de tudo do mundo à noite.
A cabeça da menina fica muito, muito grande quando escurece, mal cabe no travesseiro. Mal cabe na cama toda, porque dentro desta cabeça tão grande existe o pensamento de uma vida inteira.
Ela pensa no futuro, lembra de todos os passados, lembra também do passado dos outros.
A menina não dorme à noite porque a cabeça dela fica a atormentando. A cabeça quer muito que ela reaja, quer que ela não desista, mas não adianta. À noite a menina só queria poder dormir.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O Amor Estende a Mão

O amor é uma mão estendida
Ela pode te puxar para o buraco ou te levar para lugares lindos
Pode ser um avião ou uma âncora
Pode ser áspera, doce, dura, firme
Esta mão estendida podia ser muitas
Mas é uma só
Faz um ano.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Baiana Style

A gente era pequena, mas eu já sabia que daquela mistura porreta de baiana com inglesa devia sair coisa boa.
E lá fui eu.
A gente pegava carona, a gente dava risada. Você me apresentava suas amigas bilíngües, seu inglês sofisticado e as baladas do momento. Eu mostrava que era boa companhia.
E lá íamos nós.
Você me apresentava todas as pessoas do mundo, eu te apresentava meu sítio.
E lá íamos nós.
Você entendia de eletrônico. Eu entendia que aquilo era a música da moda.
E lá íamos nós.
A gente falava sem parar e você tinha aquela risada gostosa, que ainda tem.
Você tinha também um jeito maduro, que só se interessava pelos meninos mais velhos, e que ainda tem.
Você transmitia segurança, confiança, e gostava de qualidade, baby.
Você fazia umas perguntas muito engraçadas, aquelas de cunho pessoal, seguidas por uma gargalhada divertida, que por sinal, você ainda faz.
E lá íamos, sempre, nós.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Seu Dia


E dia da Lela também!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Clara

Clara é o apelidinho doido de claridade
Clara é irmã de claro, prima da luminosidade e filha do sol.
Clara esclarece tudo, que nada agradece mas no fundo sabe que,
Se não houvesse Clara,
O mundo não seria assim tão cheio de luz.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Chove Também na Minha Janela

O mundo chora
Suas águas molham as casas, molham as plantas e as pessoas.
Molham o molhado.
Suas águas caem ininterruptas, formando lagos de lágrimas do mundo.
Ele chora porque pecamos.
Chora gotas que se somam, lavando almas sujas.
Por essa razão, choverá para sempre.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Eu já havia aprendido essa lição na adolescência, mas tinha esquecido e só agora me recordava: não protestar contra a solidão. Não resistir. Como tantas tardes aos catorze anos, tantos dias na praia dos dezesseis, entre amigos ao mesmo tempo tão próximos e tão distantes. A solidão é um estado natural. Amores mudarão essa regra ao acaso. Não há como não ser ao acaso. Respirar a vida como se não houvesse ninguém. Até que haja.

Short Story

Eu vou indo, correndo pra pegar meu lugar no futuro, e você?

Gotinhas que começam com i

As gotinhas começaram a cair
E cada uma tinha um nome
Cada uma ficava de uma cor
E tinha um sabor.
As gotinhas caíam sem nenhuma razão
Depois de um trovão qualquer,
Fora de hora.
As gotinhas escorriam e tomavam muitas formas
Tornando a paisagem menos nítida.
Insegurança,
Incerteza
Impaciência
Esses eram alguns dos nomes
Das pequenas gotinhas
De um rosto qualquer.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Sabe aquela música da Rita Lee? Diz assim

Me cansei de lero lero
Dá licença mas eu vou sair do sério
Eu quero mais saúde
Me cansei de escutar opinião
De como ter um mundo melhor
mas ninguém sai de cima nesse chove não molha
Eu sei que agora, eu vou é cuidar mais de mim.....

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Cutuquei pra Curar

Consertar uma relação é como mexer em uma lata de lixo. No final, de tanto remoer, ela fica vazia, às vezes limpa, mas para isso é preciso tirar muita sujeira.
(E muitas delas são encardidas.
Existem também sujeiras magoadas pelo tempo.
Vale a pena ou deixo para o tempo e as chuvas lavarem?.....)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Essa é a minha vida real. Essa é a vida real deles.

A vida é um negócio bizarro.
Vejo Gaza pela minha tela de plasma, deitada no sofá, enquanto pinto as unhas para parecer mais bonita.
O filme Gaza passa na minha tela,
A guerra,
O filme de crianças morrendo,
E eu, na minha hipocrisia, fico a imaginar se essas pessoas se perguntam ‘por quê eu?’

terça-feira, 6 de janeiro de 2009


Asas para voar

Sempre tive duas asinhas angelicais.
Elas me fazem dar passeios e pequenas rasantes.
Cobrem-me no frio, me abraçam no calor, me servem como apoio quando estou para cair.
Nessa virada de ano, de repente, me dei conta de que ter anjos de asas é um privilégio para poucos, contanto que elas se encolham só um pouquinho quando eu quiser andar com meus próprios passos e entendam a hora de se abrir quando eu quiser voar alto.