terça-feira, 30 de abril de 2013
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Laço
A primeira vez que nos vimos, eu
usava uma bolsinha vermelha bem pequena, de laçinho. Dentro dela eu levava
quase nada: um cartão e um celular. Só. Não tinha batom, não tinha documento,
porque eu tinha pressa. Muita pressa de ir embora. Até hoje olho a bolsinha e abro um
sorriso: a conversa que começou naquele dia, nunca mais terminou.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Cultivo
Um dia ele podia convidá-la para jantar. A levaria num restaurantezinho pequenino, romântíque, e pediriam um vinho. Ela falaria do trabalho e dos sonhos, e ele ouviria com atenção. Até acharia engraçadinhos os sonhos dela, mas acharia mesmo encantador as bochechas dela rosando pelo vinho e os pequenos sorrisos saindo disfarçados. Ele faria uma gracinha qualquer, ofereceria uma garfada do seu prato - sempre melhor escolhido que o dela - e a serviria da última taça da garrafa, seguida de um beijinho. Ela ia tentar disfarçar, não ia falar nada, mas se apaixonaria por ele, mais uma vez.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Cachinhos dourados
Quando a gente era pequenininha, as pessoas vinham me falar como você
era fofinha com seus cachinhos, e eu concordava
Quando você era mais mocinha, as pessoas vinham me contar as suas
aprontadas de muleca, e eu ria muito (e contava pra calina rir comigo)
Aí você cresceu e os meninos vinham chorar as pitangas de suas
paixões, e eu os consolava
Quando você virou adolescente, as pessoas vinham me dizer como você
escrevia bem, e eu passei a chorar com seus textos
Quando você se formou na faculdade e aprimorou seu humor
peculiar, as pessoas passaram a rir mais ainda, e eu vibrava e divulgava
Quando você começou a sair comigo, todo mundo dizia que você era
linda, e eu ficava feliz
Aí você fez 26 anos, e além de ser fofinha, despertar paixões, fazer
todo mundo rir com suas molecagens e escrever bem, você se mostrou uma ótima
conselheira e ótimo companhia, e eu vivo orgulhosa.
Parabéns por ser um foco de luz. Tenho sorte de estar pertinho. ♥
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Duas médias
Duas médias e duas tortas de palmito, pediram pro garçom, e ele completou: maissimplesqueisso,impossível né. Pronto. Ouvi as solicitações do casal alheio e passei o resto do meu café da manhã a parafusar. Por quantas aventuras teriam passado, até encontrarem essa padaria rotineira? E então, quantas histórias viveram até que a torta de palmito virou consenso? E mais, como uma trivialidade tão complexa como torta de palmito no café da manhã pode ser maissimplesimpossível? Fiquei imaginando a casa da praia, as férias com as crianças e a primeira vez que descobriram que café com leite é a preferência para ambos, com bastante açúcar. Saí de lá pensando que a vida é mesmo uma eterna construção de pequeninas escolhas curiosas.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
sábado, 5 de janeiro de 2013
Mandingas para um bom ano
Esse ano não houve promessas de réveillon. Não houve também
grandes reflexões e grandes lembranças. Nada de saudades. Esse ano não chorei (de
emoção, felicidade ou tristeza) e nem corri pro mar. Não lembrei do que deu
certo e menos ainda do que deu errado. Não joguei flores no mar, não tomei
banho de sal grosso e não brindei em nome de alguma coisa que fazia todo o
sentido na hora da ceia. Nem mesmo
champagne eu tomei, nesse réveillon. Eu adoro rituais (e acredito em todos
eles), mas curiosamente 2013 chegou perfeito como eu queria que fosse, sem pedir nada em troca.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
E então que eu sou assim. Cada
minuto é um minuto, cada dia é um dia. É como se a ponte entre um dia e outro fosse
a tênue lembrança de um agrado, de um sorriso, de uma frase, e nada mais. Às
vezes me alivio, por me reconstruir a cada dia, e às vezes me desespero, porque
nos dias sem palavras, nada me reconecta à vida do dia anterior.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Descabelada
Não vou te contar, mas te vi
passar na rua. Você estava daquele jeito de sempre, meio arrumado, meio capeta,
meio localizado, meio perdido. Essas coisas a gente não entende mesmo. Porque
eu também estava do meu jeito de sempre, atrasada, descabelada e, claro, despreparada.
Te vi andando, e junto aos seus passos foram passando todos os seus sorrisos
que eu gostei, seu jeitinho de dançar que eu gostei, e seu humor debochado, que
eu também gostei. Não vou te contar, mas me deu uma dessas tristezas ardidas,
como quando a gente sonha uma coisa gostosa, e acorda num dia cinzento.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
quinta-feira, 26 de julho de 2012
terça-feira, 3 de julho de 2012
Vestido rendado
Vestiu-se de rendado, toda caprichada. No cabelo encheu de
laço e no rosto, encheu de sorrisos. Nos lábios aquele batom que ela gosta e de
perfume, o de sempre, pra agradar. Estava assim, toda meio radiante, meio cheia
de sonhos. Avisou a família e a melhor amiga. Avisou também um ou outro que cruzou
no caminho, porque não se aguentava em si. E ficou a aguardar. Aguardou
minutos, transformados em horas, transformados em dias. O perfume já não
existe mais, nem tampouco o sorriso. Restaram-se apenas os sonhos, que insistem
um pouquinho mais em deixá-la.
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